Anteriormente, falei sobre o problema do sistema de crenças denominado Calvinismo. Hoje, quero mostrar de maneira clara o problema do sistema de crenças denominado Arminianismo. Não vou me deter em questões históricas — a intenção aqui é ir direto ao ponto.
Como o Arminianismo Entende a Salvação
O Arminianismo é uma forma de explicar a salvação diferente do Calvinismo. Ele valoriza demasiadamente a escolha que o ser humano pode fazer, e entende que a escolha de Deus (eleição) depende de certas condições — não impostas pelos homens, mas pelo próprio Deus. Vejamos os principais pontos dessa visão:
1. Sobre a condição do ser humano — o Arminianismo ensina que todos nós nascemos inclinados ao pecado por causa da queda de Adão. Mas, ao contrário do Calvinismo, não se acredita que o ser humano esteja totalmente incapaz de escolher. Cada pessoa ainda teria o livre-arbítrio: a capacidade de dizer "sim" ou "não" para Deus. Para que essa escolha seja possível, Deus concederia a chamada graça preveniente — uma ajuda que tornaria o pecador capaz de escolher entre o bem e o mal, como Adão antes da queda.
2. Sobre eleição e justificação — o Arminianismo entende a eleição (a escolha de Deus) sob a crença de que Deus escolhe as pessoas com base naquilo que sabe de antemão. Ou seja: Deus olharia para o futuro, veria quem vai crer em Jesus, e então escolheria essas pessoas. Quanto à justificação, o Arminianismo crê que Cristo morreu por todos os seres humanos sem exceção, mas essa morte só teria efeito de salvação para quem decide crer.
3. Sobre conversão e graça — o Arminianismo ensina que a graça de Deus pode ser rejeitada: Deus chamaria uma pessoa, mas ela poderia responder "não" e recusar a salvação. Diferente do Calvinismo, pode-se dizer que aqui o homem tem a palavra final.
Perseverança e Apostasia: o Ponto Central
O Arminianismo prega que o crente precisa perseverar até o fim para ser salvo. Esse é um ponto nevrálgico — e é justamente aqui que me faz crer ainda mais nas Escrituras, acima de tudo. Para o Arminianismo, existe a possibilidade real de alguém cair da graça e perder a salvação. Por isso, muitas igrejas de linha arminiana — católica, metodista e pentecostal — ensinam que a salvação não é garantida para sempre, ao contrário do que dizem as Escrituras ao afirmarem que a salvação de quem creu é preservada não por ele, mas por Deus. Os salvos são mantidos na fé pelo poder do Deus Todo-Poderoso (Jo 3:18; 10:28-29; Rm 8:28-30,35,38-39; 1Co 5:3-5; Ef 4:30).
A Suficiência da Obra de Cristo
Diante de tudo isso, fica claro que o Arminianismo, ao ensinar a possibilidade da perda da salvação, coloca em xeque a suficiência da obra de Cristo e a fidelidade das promessas de Deus. A Bíblia nos garante que a salvação é uma obra divina do início ao fim: o Pai nos escolhe, o Filho nos redime, e o Espírito Santo nos sela para o dia da redenção. Não se trata de esforço humano, mas da graça imutável do Senhor.
Portanto, querido leitor, não permita que nenhum sistema de crenças humano — e, por isso mesmo, falho — enfraqueça sua confiança no Deus que te salva e te preserva. Apegue-se firme e unicamente às Sagradas Escrituras, examine cada doutrina sob a condução do Espírito, à luz da Palavra, e permaneça confiante, mantendo sua esperança somente na segurança eterna que Cristo conquistou na cruz.
Meu desejo e oração são que você não negocie a verdade bíblica por tradições humanas: estude a Palavra diariamente e, acima de tudo, confie plenamente que Aquele que começou a boa obra em você é fiel para completá-la até o dia de Cristo Jesus (Fp 1:6).
"Assim, como já vo-lo dissemos, agora de novo também vo-lo digo: se alguém vos anunciar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema." Gálatas 1:9
Que essa certeza produza em nós mais santidade, mais persistência, mais dependência e mais fervor em anunciar o evangelho da graça de Deus. Que Deus nos abençoe.